30 setembro 2010

Bem-estar animal?

Se as lágrimas não estragarem o teclado, eu juro que concluo o post!

Há algumas semanas ouvi por muito tempo gritos de um cachorro. Era um choro insistente e de sofrimento!
Isso me deixou agoniada, agitou toda cachorrada da vizinhança e como era noite não consegui identificar exatamente de onde vinham os latidos e gritos de dor.

Outro dia ouvi um grito humano e em seguida choro canino.
Semana passada novamente...
E hoje também!
Eu sofro tanto quanto o animal que grita...

Já sabia a direção do som mas ainda tinha dúvidas quanto a casa, até que hoje ao ouvir o primeiro grito "humano"(?)  corri para a janela que dá fundos para a rua de trás da minha casa.

Me deparei com uma mulher no quintal, com uma raquete de frescobol na mão e dois cães a rodeando.
VI quando ela deu duas raquetadas no maior deles e falou alguma coisa que não consegui entender, porém, aparentemente não causou nenhum sofrimento, mas mesmo assim continuei na janela para observar uma possível agressão.

Todos saíram da minha visão indo em direção à lateral da casa e neste momento ouvi GRITOS do cão.
Meu coração pulou!
Mas ainda tinha a esperança de ser um mal entendido. Continuei olhando pela janela.
Passados alguns minutos eu ouvi novamente gritos humanos com palavras de repreensão: " Não pode!" "Nããão!" Não pode"... concomitante aos GRITOS contínuos do cachorro.

Não havia dúvidas....ela estava agredindo o bicho!
Peguei o telefone e liguei imediatamente para 190.
Prontamente uma policial me atendeu de forma educada e gentil, ouviu meu relato mas disse que denúncias de maus tratos deveriam ser feitas através do telefone do órgão de Bem-estar Animal.

Chorando muito e tremendo mais ainda, anotei  e liguei rapidamente.

Eis minha surpresa!

Fui atendida por um homem de voz calma e fria que mal me deixou falar.
Suas palavras foram:
"para que nós possamos tomar providências é necessário que a senhora se dirija até uma delegacia e faça um boletim de ocorrências".

Meu argumento foi o que acredito ser o mais sensato.
-Eu não quero me envolver! Tenho 3 cães e se ela faz isso com os seus, o que será capaz de fazer aos meus?

De forma seca me disse que não havia o que fazer antes do registro.

Liguei para meu marido chorando e muito nervosa, contei os fatos e ele me sugeriu que eu tentasse o outro número de telefone fornecido pela Polícia Militar.

Assim  eu fiz... mas novamente aquela voz fria, seca e posso dizer até indelicada me atendeu.

-Ah, é do mesmo lugar que liguei! Eu disse decepcionada.
Já estava  menos agitada e tentei um diálogo com o homem.
Tentei esclarecer que embora eu quisesse muito defender os cachorros, eu tinha muito medo de represálias.
E falei da 'falha' no procedimento, pois até que alguém procurasse uma delegacia e esses fatos fossem apurados  perdia-se muito tempo. etc..etc...etc...

Fui interrompida indelicadamente por ele cortando meu raciocínio e me fazendo desacreditar da eficiência de uma denúncia.
-"SE-NHO-RA, já disse antes que primeiro é preciso um boletim de ocorrências."
 disse ele numa voz irritantemente calma em tom de pouco caso, até debochado eu diria.

Eu sei que há uma série de preceitos a serem seguidos e tudo faz parte de um procedimento legal, infelizmente!
Mas não seria melhor se este órgão tivesse autonomia pra agir sem burocracia?
Enquanto eu não for à delegacia, fizer o registro, esse registro for averiguado e encaminhado ao órgão competente... quantas vezes mais esse animal irá apanhar?

Tô triste, muito mesmo!